domingo, 17 de abril de 2011

Auf Wiedersehen

Finalmente parei de contar os dias. Finalmente acabei de fazer as malas. Finalmente chegou a semana planeada há meses. Espera-nos uma longa viagem turística até ao nosso local, até já!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Já soube

“É assim que te revelas. Nunca sabes o que queres e vives tão perdido nas tuas dúvidas que nem sequer consegues perceber o mal que podes infligir aos outros. Faltam-te generosidade e empatia, bem como aquela qualidade tão rara quanto digna a que os ingleses chamam kindness e que o meu outro amor tem de sobra, sendo esse um dos fundamentos mais sólidos da sua personalidade, e como tal um dos seus mais notáveis encantos…”

Eu não tenho lá muito jeito para lidar com este tipo de coisas, talvez porque nunca me habituei a vivê-las. Uma ou outra de vez em quando, ainda passa, ainda se esquece e ainda se mantém o que é bom de se manter. Mas eu não tenho lá muito jeito para pedir perdão de algo que não cometi, muito menos para implorar que se passe, que se esqueça aquilo que já está esquecido e que… eu já nem me lembro o que me fez perder o jeito para lidar com este tipo de coisas.

Mas eu já soube, já…

domingo, 27 de março de 2011

Não sei



Não sei se hei-de gritar de revolta ou refugiar-me num canto. Se deverei ser excêntrica e superior a tudo ou se me deverei esconder. Se será melhor optar por uma charmosa vestimenta ou um simples par de jeans.
Este Mundo, que tanto me intriga e me revolta, torna-se na maior excentricidade existente, mesmo não possuindo tais objectos de valor mas que, de facto, é de realçar aquilo que os outros poderão ver de nós! Pobres almas, tristes cérebros e dementes corpos que vos tornais naquilo que nunca desejaram ser. Optam pela elegância e feminilidade, complexando o que simples seria tão bonito e agradável. Troquem-me essas máscaras, dispam esses preconceitos e saiam à rua de cara lavada e cabelo amarrado que, aí sim, vos darei valor por serem transparentes a esta sociedade; troquem esses tiques manhosos que tanto vos acompanham no andar, por um simples e único e exclusivo… andar! Será assim tão difícil andar?
Mas se há coisa que é, de facto, gratificante, é a ignorância e completa falta de inteligência que vos persegue todos os dias e vocês, felizes e contentes da vida, acham uma enorme piada a isso. Eu, que até sou uma pessoa assim que se ri de tudo, não me atrevo sequer a lançar um sorriso quando me deparo com tal coisa.
Mas como eu hoje estou a navegar num mar de “não sei quê’s”, prefiro deixar-me levar por esta onda antes que o meu grito de revolta vos provoque um desafinado, histérico, estridente e irritante berro de cana rachada de “Não sei se diga, não sei se faça, não sei se pense” e antes que vos deixe aí aos segredinhos, deixem-me só dizer-vos que o batom está mal espalhado e que tenho pena desses saltos altos por serem tão mal tratadinhos.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Isto



"O amor é outra coisa. Constrói-se do chão, levantando pedra atrás de pedra, como se de penas se tratasse. Sem medo, com calma, sem esforço, apenas com vontade. Dando espaço e tempo, dando a mão. O amor é um caminho a dois. Caminante no hay camino, el camino se hace al andar. E a grandeza de um homem está em ser uma ponte, não uma meta, e ninguém consegue construir uma ponte sozinho.
O amor é uma construção. Eu estou a aprender. Aprendi muito neste último ano em que descobri que era mais feliz se vivesse o amor plenamente(...)

Nisto, como em tanto outros pequenos nadas, que todos somados se revelam maiores do que o todo, sou tragicamente igual a ti." Almost 5 *

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Estes meus últimos dias

“O apego é o preço do afecto, já o disse tantas vezes, repeti-lo nunca me soa redundante. Há momentos em que todos sonhamos com uma outra espécie de amor, livre e leve, mas todos sabemos que não são essas as premissas do verdadeiro amor. Somos todos prisioneiros de um sonho ou de uma realidade, no fundo, nunca somos livres. É provável que tenha germinado aí a minha propensão apocalíptica por amores impossíveis. Cada vez que me apaixonava era por um rapaz que vivia noutro país ou que não gostava o suficiente de mim para me fazer feliz, ou ambas as coisas. Tornou-se essa a minha trágica experiência, ludibriar a viabilidade no amor, transformando o intangível na realidade, reduzindo-o ao seu poder inspirador para sonhos e escritos, que são afinal a mesma coisa.
Amar sem esperar reciprocidade é uma doença silenciosa e traiçoeira como o cancro; quando damos por isso, o mal causado já se espalhou de tal forma que não é possível escapar.
Eu escapei.”

Estes meus últimos dias têm-me feito a cabeça em água. Estes meus últimos dias, que eu espero que sejam mesmo os últimos, gloriaram o cansaço que tanto se apodera de mim. Não os últimos da minha vida, querendo eu, sim, que desapareçam rapidamente antes que a minha cabeça de água evapore.
Até que sinto aquele cansaço satisfatório, de que valeu a pena todos os pormenores trabalhados, mas que acabe e rápido. Livro-me agora de todos os males que me atormentaram a vida – não querendo ferir susceptibilidades, é claro –, apesar de me formarem ao meu carácter, fico agradecida por se levarem por outros ventos se não aqueles por que me guio.
Amores que me fizeram ficar cansada da vida, cansada de mim e cansada do cansaço que abusava de mim, voam agora em direcção a outro ser que, mais tarde – e muito mais tarde – verá que amores só servem para nos esgotar a alma, alterar o pensamento e destruir o coração. Se é que me faço entender, às vezes explicar estas coisas, que são mesmo coisas sem explicação, causam transtorno a quem me lê nas entrelinhas; mas quem me sabe ler, e eu sei que há alguém, percebe-me que estou bastante agradecida por todos esses pequenos amores me deixarem. Amor da vida só existe um, e só depois de se passar por muitos amores – que, agora pensando bem, deveria eu denominá-los por paixonetas? – é que se encontra o amor que nos aquece novamente a alma, nos preenche o coração e não nos cansa o pensamento, não nos cansa a vida; torna-a bela quando está exausta de tudo o resto que existe sem ser o amor.
Amor da vida é aquele que se ama esperando reciprocidade, que não precisa de nos fazer sonhar com aquele amor livre e leve mas faz-nos vivê-lo, que faz esquecer cansaços e tristezas, que nos dá energia para sairmos da cama todos os dias de manhã cedo, que nos conhece através de expressões, gestos e olhares. Por isso eu amo, eu vivo, eu esqueço todo o cansaço que sinto em mim porque amar só acontece uma vez na vida; e só nos damos conta quando o tempo nos escapa por entre os dedos e chegamos à conclusão que é esse o amor que faz valer todo o tempo passado.