terça-feira, 6 de abril de 2010

somos o mesmo

“O amor significa preocuparmo-nos mais com a felicidade da outra pessoa que com a nossa própria felicidade, por muito dolorosas que as opções com que nos deparemos sejam.”

Gosto de te escrever nestes dias, nestes nossos dias. Hoje vou ficar por casa, aconchegada aos meus lençóis e agarrada aos meus doces que não dispenso numa tarde passada pelo meu lar. Hoje não tenho vontade para por os pés na rua, apesar do quente sol que se faz sentir lá fora mas apetece-me ficar por aqui, deitar-me na cama de barriga para o ar, olhar para o meu tecto branco e pensar. Hoje não quero ver ninguém, pesa-me a consciência. Fico-me por aqui a imaginar como vai a tua vida - e como vai a minha. Observo-te feliz e sei que és feliz com todas as letras que constituem a palavra. Eu sou feliz por ti. Esta felicidade que me fazes sentir é por saber que foste tu quem me trouxe o melhor da vida e que me ensinou que, de facto, amar alguém significa esquecermo-nos um bocadinho de nós e preocuparmo-nos mais com quem está ao nosso lado. E, mesmo que não estejas ao meu lado, eu não deixo de me preocupar contigo porque agarraste-me com unhas e dentes, prendeste-te a mim de forma tal que é impossível ignorar ou fazer de conta que nada aconteceu. E não é por eu te ver feliz de uma outra forma que vou passar a odiar-te, a desejar-te todo o mal do mundo ou fazer impossíveis para acabar com a tua felicidade. A isso eu chamo obsessão e falta de personalidade de alguém que, para além não saber sentir, não se sabe conhecer a si própria. A verdade é que ensinaste-me a descobrir um bocadinho de mim e eu ajudei-te a descobrir um bocadinho de ti porque amar é mesmo isto: saber ser e saber sentir. Fazes-me sentir uma grande mulher e eu sei que te fiz sentir um grande homem, mesmo por detrás de todos os contratempos com que nos deparávamos, pois era com cada erro que adquiríamos mais um bocadinho de conhecimento acerca do que sentíamos verdadeiramente.
Podíamos ter planeado a nossa despedida caso imaginássemos que iríamos destruir com o que tínhamos. Podíamos ter largado as nossas coisas no exacto local onde viramos as costas um ao outro e esquecer a nossa história nesse exacto momento. Mas, meu doce, nós já temos cabecinha suficiente para sabermos distinguir o correcto do incorrecto, o desejável do dispensável e sempre soubemos que o correcto e o desejável era guardarmos um bocadinho de nós cá dentro, fundir os nossos momentos em recordações e guardá-las na memória pois são estas pequeninas coisas que nos tornam em alguém melhor, num ser independente e capaz de definir as suas prioridades e as suas acções; sempre soubemos também que o incorrecto era jamais dirigirmos a palavra um ao outro, iríamos contra as confianças que juramos, não serem eternas, mas sim serem enquanto o nosso encontro for possível e que o dispensável seria guardar as nossas más palavras que, apesar de nos darem uma lição de vida, é preferível não voltar a referi-las.
Como vês ensinaste-me muito e eu sei que tu também aprendeste muito comigo. As nossas vidas irão andar cruzadas nos próximos tempos, e eu agradeço, pois o que realmente me dói é largar quem se tornou numa pequena parte da formação da minha própria pessoa. O que dói é perder quem nos atribuiu o mesmo valor, ou mais, do que aquele que lhe atribuímos, quem nos agarrou, quem nos fez amar a vida e ver o seu lado mais pacífico e dotado de ternura, quem nos fez pulsar o coração a cada gesto e a cada olhar, quem nos rasgou um sorriso na cara até mesmo nas alturas em que as nossas tristezas gloriavam o nosso dia e quem, de facto, nos ofereceu um coração e uma confiança em mãos, para que possamos cuidar e rectificar todas as impurezas.
Eu estou feliz por saber que não te perdi e que poderei seguir a minha vida tendo-te comigo, mesmo que não seja do mesmo modo que era há um ano atrás. Somos o mesmo, seremos exactamente o mesmo. Estou aqui, a cuidar de ti.

3 comentários:

luisinha disse...

eu também gostava de continuar com ele, mesmo que não fosse da mesma maneira. sem amor mútuo, inclusive. eu gostava. nem sequer apenas isso, eu gostava muito. mas fico ainda mais feliz por saber que tu conseguiste*

Joana disse...

mais uma vez, o que é mesmo nosso nunca se perde. ainda vais a tempo, andas a sofrer agarrada a um passado que não está irreversível, agora pensa! ly

ananda ou náná. disse...

é bom até demais ouvir estas palavras, melhor ainda é senti-las!
este teu texto está maravilhoso catarina!
um beijo! *