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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

céu e mar, pure blue

Somos como céu e o mar. Sempre tão juntos e tão distantes; sempre um tanto ou quanto inseparáveis como se apenas o seu horizonte nos unisse. Don’t you agree?
És o meu azul-marinho preferido e eu serei o teu azul-bebé de requinte, mas andamos com azar, meu caro. Estes terríveis algodões negros que formam a nossa fronteira tendem a afastar-nos até que a linha do cruzamento quase perfeito se perca na imensa nebulosidade.
Mas somos como o céu e o mar: tão idênticos e com funções tão distintas. Pacíficos, harmoniosos com uma pitada de crueldade e agressividade que tanto contrastam com a nossa beleza. Somos belos, admirados e o local perfeito para um desenlace: tu a esconderes o Sol nas tuas costas e eu a lançar o brilho da noite.
Afinal de contas, fugimos incessantemente ao pacto de frias, cruas e precisas palavras. Somos ambos uns corações moles repletos por uma certa melancolia que me faz… olhar para uma fotografia e concluir que, de facto, somos o céu e o mar: sempre na ilusão de que, um dia, nos voltaremos a encontrar.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Never again


"You cool your bedwarm hands down on the broken radiator and when you lay them freezing on me, I mumble "can you wake me later?". But I don't really want you to stop and you know it so it doesn't stop you. You run your hands from my neck to my chest."

Foi a última vez que chorei por ti. A última vez que deixei os meus impulsos falarem mais alto que a minha mente assim que te vi a passear por entre os meus instintos, doces instintos, maldosos instintos, digamos. Foi a última vez que me lastimei por ti, que deixei que te apoderasses mais uma vez dos meus poderes – super poderes, diga-se de passagem, que se há algo que me ensinaste noutra vida foi a ser uma super mulher.
Não é que eu queira receber alguma atenção de tua parte, alguma pitada de importância que me estimule o ego e que me rasgue um sorriso na cara - "because nobody knows it but I've got a secret smile and I use it only for you"- mas seria generoso de ambas as partes tornar as nossas belas palavras seguidas de uma certa cumplicidade em actos. Não sei se te lembras de como se fazia, mas eu relembro-te. Podes nem saber fazê-lo, eu ensino-te. Afinal de contas, eu necessito da tua pequenina atenção para me alegrar o dia, não é que a queira, apenas preciso.
Preciso-te porque ainda me prendes. Ainda me deixas um bichinho de preocupação sempre que algo te acontece e eu mergulho na ignorância de não ser capaz de te suportar a alma por não saber o que sobreveio. Preciso-te porque tenho que te compreender. É uma obrigação minha saber ler-te nas entrelinhas e compreender todos os teus actos por muito que não concorde com eles. Uma obrigação estipulada nas nossas águas passadas que, essas sim, juramos permanecer. Não sei se te lembras, mas eu relembro-te. Eu sou a tua pequenina de coração, a tua fiel companheira que te dará o que de melhor a vida proporciona. E tu és o meu porto seguro, o meu local de abrigo, a minha pitada de confiança, o refúgio dos meus segredos. Preciso-te porque tenho que te contar os meus detalhes, o meu dia-a-dia, os meus desabafos e pensamentos, a noite de copos que tive na semana passada ou até mesmo o facto de ter deixado cair uma televisão ao chão que, de facto, não tem qualquer importância.
Mas foi a última vez que derramei uma lágrima por ti. Melhor dizendo, por mim. Por deixar que me faças sentir culpada, por permitir que abuses de mim mais uma vez para saíres vitorioso de algo que não possui qualquer troféu ou prémio de consolação. Tu tens duas faces, uma que delicia qualquer um que passe por ti, e outra terrível, maldosa, difícil de vir ao topo porque se esconde por detrás de delicadas palavras que tanto usas para embelezar o que, às vezes, já nem é preciso. Uma face que me faz trincar o lábio, roer as unhas, bater o pé no chão e derramar lágrimas do tal estado que me provocas. A face que parece ter perdido toda a paciência que lhe enchia o saco e que têm uma pitada de estupidez repleta de estúpidas palavras que formas estúpidas frases que, por sua vez, tornam um diálogo extremamente estúpido.
A tua sorte – ou se calhar nem é sorte nenhuma – é tu seres o meu retrato preferido e me teres ensinado a ser uma super mulher e que, super mulheres, não choram por quem lhes invade a alma quando lhes apetece. Super mulheres guardam o melhor dentro de si, e eu estou repleta de tranquilidade e firmeza. 
Há uma primeira vez para tudo, e uma última.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

nostalgia é isto

Nostalgia da felicidade que em tempos julgaríamos ser eterna. Nostalgia do suporte constante, da boa palavra logo ao primeiro encontro e da mútua confiança que se partilhara dia após dia.
Fomos o que jamais seremos e carregaremos às costas aquele sentimento melancólico causado pela ausência de algo – ou alguém - que nos conquistou o coração, pois essa sensação é aquela de que tudo o que se viveu valeu realmente a pena. Nostalgia é isto, sentimento de tristeza motivado por profunda saudade, palavras já estipuladas que caracterizam tudo aquilo que sinto neste exacto momento melhor do que as minhas próprias palavras. E se algum dia os nossos laços se cruzarem, lembra-te de que nostalgia é isto, é a força de um passado que não se apaga, não se esquece e deixa marcas…

sexta-feira, 30 de julho de 2010

preciso de ti

"It's been minutes it's been days, It's been all I will remember. Happy lost in your hair and the cold side of the pillow. Your hills and valleys are mapped by my intrepid fingers and in a naked slumber, I dream all this again."
 
Isto de brincar ao gato e ao rato não é para mim. Acho que só hoje me apercebi que és pouco mais que palavras bonitas e frases feitas, promessas sem fim e planos definidos; que actos não fazem, de todo, o teu género. Mas eu preciso de ti e estou cansada de precisar de ti. Só tu me sabes proteger de todos os males deste Mundo e só tu me deitas abaixo à frente de meio Mundo também. Mas eu preciso de ti nesta caminhada, o teu ombro ao meu lado, a tua mão na minha, o teu perfume na minha roupa, o teu andar alinhado com o meu e o teu apoio sempre que algum obstáculo surja. Quero ouvir da tua boca todos os detalhes do teu dia e não sabê-lo por terceiros onde já metade da historia é boato, uma vez que quem conta um conto acrescenta um ponto. Eu preciso de saber como vai essa tua vida, esse teu verão e essas tuas loucuras sem mim porque eu preciso de ti. Faz-me sentir viva só mais uma vez, eu preciso de ti comigo por muito cansada que esteja de necessitar demasiado desta tua presença. Complementa as tuas boas palavras com os teus actos perfeitos, eras tão delicado e exacto nessa combinação, sabias exactamente o que dizer e o que fazer sempre que a minha alma se desmoronava; tu eras sempre o mais calmo e o mais pensativo, eu era a mais impulsiva e inconsciente. Mas não penses que também não o foste, visto que habituaste-te rápido aos teus impulsos e à tua inconsciência que te tornava, aparentemente, saudável e feliz. Eu estou calma, pensativa, forte, decidida e muito mais pé atrás depois de tudo o que me ensinaste. Afinal, foram as tuas boas palavras que me fizeram parar antes de me pronunciar, foram as tuas boas palavras que me fizeram crescer e me ensinaram a percorrer esta caminhada sozinha, foram as tuas boas palavras que me conquistaram e me ensinaram que, por vezes, não são as boas palavras que fazem de nós boas pessoas e muitas as vezes só servem para conhecer mais um pouco do Mundo da ilusão, que deve ser o teu local de preferência para umas boas férias de Verão; fizeram-me ver, ou melhor, fizeram-me observar com olhos de gente e perspicácia de gato que mais vale ignorar as boas palavras que tentam entrar no nosso coração e que a vida não é feita de palavras, é feita de acções, demonstrações de carinho e que às vezes mais vale não dizer uma única palavra quando a nossa alma só precisa de algo que a aqueça, quando o nosso coração só precisa de um gesto que o acalme e quando os nossos olhos só necessitam de alguém que lhes seque as lágrimas. Mas sabes, foi a minha falta de perspicácia de gato e o facto de seres demasiado rato que me fizeram cair de amores por ti e aprender que nesta Vida mais vale correr sempre atrás do que nos escapa por entre os dedos, assim como os gatos gostam de perseguir os ratinhos pequeninos e indefesos; que nesta Vida precisamos sempre de quem nos suporte, de uma boa palavra para simplesmente nos alimentar o ego e que, por vezes, é bom viajar até ao Mundo rodeado de erros de percepção que consistem em fazer uma interpretação visual dos factos que não coincide com a realidade – se é que me percebes, meu doce, estas cruas palavras são o que te definem neste preciso momento. Mas eu preciso de ti, já não preciso das tuas boas palavras para alimentar a minha personalidade ou para criarem a ideia de que serás o meu pilar nesta caminhada, preciso que demonstres que poderei ter-te sempre comigo. Tu prometeste, lembras-te? 

"I wanna wake up where u are" hoje apetece-me dizer-te três palavrinhas."

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Crescimento


"I could quit but here's the thing, I love the playing field."

Não te sinto. Não te sinto quando passo pelos teus locais, não te sinto quando pegas nas tuas malas e instalas-te nesta casa como se fosse tua, deitas-te ao meu lado e acaricias-me o cabelo, deixando-me adormecer no teu ombro. Acordo e reparo que não te encontras ao meu lado e só resta uma única almofada, as tuas roupas desapareceram e o teu cheiro já não se faz sentir neste quarto. Não te sinto porque perdeste o teu dom de marcar cada passo teu, nem dei conta de quando fechaste a porta e seguiste a tua vida. Não te sinto quando sonho estes momentos contigo porque, na verdade, tu tens lá tempo para passar por cá, provavelmente já nem te lembras do atalho que te mostrei no outro dia, por entre arbustos e troncos espalhados pelo chão.
Não te sinto, mas vejo-te, consegues sentir a minha mão a percorrer o teu corpo? Não te sinto mas sei que estás em frente à minha casa a implorar-me que te abra a porta para que possamos jogar só mais uma vez. Meu doce, o tempo passou e levou com eles os nossos mistérios e jogos por quem nos apaixonamos, e tu deixaste-os ir com a maior das facilidades julgando que não necessitarias de voltar a este maldito vicio, que somos nós. Mas sabes, eu sonho em poder abrir-te a porta, sentir-te enquanto sobes as escadas e ouvir o bater do teu coração assim que nos sentamos no sofá a ver qualquer coisa ao qual não damos atenção alguma porque aqui, neste local, neste tempo e neste jogo, só importa a felicidade que sinto em estar ao teu lado. Aqui eu sinto, sinto a tua respiração. Arrepias-me em cada palavra que me diriges ao ouvido enquanto um sorriso se rasga no teu rosto e voltas a sentir as minhas mãos a percorrerem o teu corpo.
Mas eu não te sinto, por isso vais ficar à porta de casa o tempo que tu quiseres pois aquela menina que conheceste, está uma mulher que não se dedicará mais a jogos e mistérios que tentas desvendar, porque esta menina vai deixar que o tempo te leve assim como deixaste que ele levasse tudo o que julgarias sentir.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

E se vida fosse isto?

"E se a vida fosse isto? Tu chegas sempre depressa, vens a voar baixinho todos os dias na minha direcção, como desde a primeira vez em que te puxei. Não estavas à espera que eu fosse assim, foste a maior surpresa da minha vida, disseste-me entre duas piadas. Fazes-me rir muitas vezes, e deve ser por isso que, quando falas a sério, consigo perceber que és mesmo tu, muito mais tu do que quando te sentas a escrever disparates que fazem rir multidões.
O riso é o segredo universal do nosso entendimento. Há outros segredos, guardados no cheio, no toque, em tudo o que pensamos quando não estamos juntos, nas tardes intermináveis em que conversamos como velhos amigos enquanto nos olhamos, à espera doo momento certo para dar o próximo passo.
Não estamos habituados a isto, nem tu nem eu somos assim, sempre fizemos tudo o que nos passou pela cabeça, poucas vezes parámos para pensar. Mas agora é diferente, porque a vida não é isto, mas gostávamos que fosse, e é por isso que adiamos o momento certo que pode ser quando quisermos, um dia destes, com certeza.
O mais difícil já temos, equilíbrio e confiança, mesmo que nenhum de nós saiba o que quer, para onde vai e como lá chegar. Olho para ti e também não sei o que te faça, só sei que me fazes bem e que te quero por perto.
Nunca percebi a natureza dos homens. A vida só me ensinou a aceitar as diferenças que reconheço mas não explico, apesar de viver a decifrar os sinais da vida. Vejo em ti defeitos que noutros homens me fariam recuar de forma irreversível e que me fazem apensas pensar que, se fosse homem, seria como tu. A tolerância é uma virtude que se aprende da pior forma. Com vinte anos achamos que somos os donos do mundo; aos trinta, instalam-se as dúvidas existenciais; e quando os quarenta se aproximam e percebemos que o mundo à nossa volta se encolhe, voltamos à base, riso e entendimento, é como se voltássemos às tardes de Verão com bombas na piscina, o prazer dos primeiros charros, tostas mistas e iogurtes líquidos, tu deitado numa espreguiçadeira a cobiçar-me as pernas e o peito, e eu a olhar para ti e a pensar que se a vida fosse isto, com altos e baixos, momentos melhores e piores, fazias-me feliz, tão feliz como quando tinha quinze anos e me apaixonei por um miúdo parecido contigo que também me fazia rir como tu." (mrp)


Se eu fosse a dona do tempo, voltava atrás e lia este texto antes de pegar nas chaves, fechar a porta e ir ter contigo. Guardava-o no bolso para me lembrar de que a vida não é feita da maneira mais delicada que idealizamos que é, que os altos e baixos servem para nos fortalecer nesta corrida contra o tempo e que as tardes loucas de Verão são as melhores das nossas vidas. Que tristezas e mágoas servem para ficar na carteira junto aos papéis rasgados e lenços encharcados, que mais vale correr para ti sempre que me viras as costas porque na hora a seguir poderá ser tarde demais. Que palavras cruéis servem para se atirar aos ventos fortes e que o nosso entendimento e o nosso riso pertencem à estrada perfeita rumo à felicidade. Se eu fosse a dona do tempo, lembrava-me que a vida não é feita de loucuras que nos passam pela cabeça, que tu tinhas o Mundo nas tuas mãos e eu guardava o teu coração como que eternos confidentes que não se contentavam com curtas loucuras de vez em quando. Lembrava-me que éramos feitos de uma constante partilha e confiança, que apenas importava o nosso pequenino esforço que nos tornava extremamente felizes em cada momento nosso. Voltava atrás, pegava nas nossas fotografias de tardes de Verão e colava outra vez na parede onde se encontram “as pequenas partes de um todo”. Voltava atrás e tocava à tua campainha assim que passara à tua porta em vez de me sentar ao lado e parar no tempo à espera que um passarinho viesse ter comigo para me aconselhar, como se fosse possível os dias serem todos quentes e o dinheiro cair das nuvens.
Mas eu não sou a dona do tempo e não posso voltar atrás. Tu continuas a ser a minha maior lição de vida e a melhor parte deste meu todo crescimento e eu continuo a ser a menina que te deve metade do Mundo que tinhas em mãos e que se faz à vida antes que a vida lhe pregue alguma partida e que bata com o nariz no chão!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

voar com o vento


"A vida não passa disto, os momentos perfeitos servem para nos dar força para todos os outros e ensinam-nos que a eternidade às vezes só dura alguns momentos, mas entre caixotes, pó, memórias perdidas no tempo e a certeza que nunca mais entrarei na casa onde vivemos, guardo-te com o sabor dos chocolates que já viveram na mesma caixa onde agora repousas, sereno e pacificado como o meu mais perfeito companheiro, na doçura triste que sucede a desordem do amor."

Fazes-me voar com o vento, seguir os seus desejos e vaguear por locais desconhecidos. Fazes-me seguir os teus passos, colocar-te num pedestal e cair em teus braços.
Sou destemida e raramente me dou como vencida, tu sabes, tu tens esse dom de conhecer todos os meus cantinhos, todos os meus segredos, todos os meus medos, todos os meus olhares, todas as minhas palavras e todos os meus sentimentos. És um sortudo, sabias? Tens todos os dias o melhor de mim, mesmo quando a minha maior vontade é pegar em ti e enfiar-te dentro de um caixote do lixo a sete chaves para não sentir o meu coração a pulsar mais rápido sempre que te observa, e de preferência com a boca tapada para a minha pele não arrepiar assim que ouvir a tua voz. Mas tu tens o melhor de mim todos os dias, até mesmo nos dias em que não dirigimos a palavra um ao outro. Tens a tua caixinha dos segredos e eu tenho a minha e tenho os teus ventos que te enviam o melhor de mim. Tu apareces aqui às quatro horas da tarde e eu acordo feliz só de saber que poderei ver-te hoje e esquecer os longos dias que não te ponho a vista em cima. Sabes como é voltar a acordar assim? Não importa o tempo que se faz sentir lá fora, a roupa suja que ainda temos que lavar, a loiça espalhada da noite anterior nem mesmo o barulho tremendo dos vizinhos! Sabes há quanto tempo anseio por acordar assim outra vez? Voo com o vento porque o vento te traz até mim quando lhe peço, deixa-me olhar por ti sem tu dares por ela e faz-me acordar com vontade de sorrir para a vida.
Por isso eu não me queixo dos ventos quentes nem dos ventos frios, desde que eles façam o seu brilhante papel de mosquinha curiosa e me contem o teu dia ao pormenor para eu certificar-me que sorris para a vida como eu, meu fiel companheiro.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

protege-me

Esta noite mal consegui dormir. Não sei se foi por estar com a cabeça a andar a mil à hora ou se foi pelo medo que me consumiu. Não sei se foi por estar a ouvir os barulhos da noite ou se foi por estar cheia de frio. Desprotegida… talvez não saibas como é sentir-se assim, visto que estás incessantemente a ser consolado e a angústia do vazio não deve gostar de ir para esses teus lados.
Por favor, protege-me só mais uma vez, para que eu consiga fechar os olhos e sentir-me despreocupada caso passes pelos meus sonhos. Só preciso que seja curto e intenso, mas protege-me. Preciso do teu ombro para me consolar, mesmo que no final do dia partas para a tua constante felicidade mas… deixa-me pecar só mais uma vez. Eu preciso de dormir!


At the end of the day, there are some things you just can't help but talk about. Some things we just don't want to hear, and some things we say because we can't be silent any longer. Some things are more than what you say, they're what you do. Some things you say cause there's no other choice. Some things you keep to yourself. And not too often, but every now and then, some things simply speak for themselves.

terça-feira, 6 de abril de 2010

somos o mesmo

“O amor significa preocuparmo-nos mais com a felicidade da outra pessoa que com a nossa própria felicidade, por muito dolorosas que as opções com que nos deparemos sejam.”

Gosto de te escrever nestes dias, nestes nossos dias. Hoje vou ficar por casa, aconchegada aos meus lençóis e agarrada aos meus doces que não dispenso numa tarde passada pelo meu lar. Hoje não tenho vontade para por os pés na rua, apesar do quente sol que se faz sentir lá fora mas apetece-me ficar por aqui, deitar-me na cama de barriga para o ar, olhar para o meu tecto branco e pensar. Hoje não quero ver ninguém, pesa-me a consciência. Fico-me por aqui a imaginar como vai a tua vida - e como vai a minha. Observo-te feliz e sei que és feliz com todas as letras que constituem a palavra. Eu sou feliz por ti. Esta felicidade que me fazes sentir é por saber que foste tu quem me trouxe o melhor da vida e que me ensinou que, de facto, amar alguém significa esquecermo-nos um bocadinho de nós e preocuparmo-nos mais com quem está ao nosso lado. E, mesmo que não estejas ao meu lado, eu não deixo de me preocupar contigo porque agarraste-me com unhas e dentes, prendeste-te a mim de forma tal que é impossível ignorar ou fazer de conta que nada aconteceu. E não é por eu te ver feliz de uma outra forma que vou passar a odiar-te, a desejar-te todo o mal do mundo ou fazer impossíveis para acabar com a tua felicidade. A isso eu chamo obsessão e falta de personalidade de alguém que, para além não saber sentir, não se sabe conhecer a si própria. A verdade é que ensinaste-me a descobrir um bocadinho de mim e eu ajudei-te a descobrir um bocadinho de ti porque amar é mesmo isto: saber ser e saber sentir. Fazes-me sentir uma grande mulher e eu sei que te fiz sentir um grande homem, mesmo por detrás de todos os contratempos com que nos deparávamos, pois era com cada erro que adquiríamos mais um bocadinho de conhecimento acerca do que sentíamos verdadeiramente.
Podíamos ter planeado a nossa despedida caso imaginássemos que iríamos destruir com o que tínhamos. Podíamos ter largado as nossas coisas no exacto local onde viramos as costas um ao outro e esquecer a nossa história nesse exacto momento. Mas, meu doce, nós já temos cabecinha suficiente para sabermos distinguir o correcto do incorrecto, o desejável do dispensável e sempre soubemos que o correcto e o desejável era guardarmos um bocadinho de nós cá dentro, fundir os nossos momentos em recordações e guardá-las na memória pois são estas pequeninas coisas que nos tornam em alguém melhor, num ser independente e capaz de definir as suas prioridades e as suas acções; sempre soubemos também que o incorrecto era jamais dirigirmos a palavra um ao outro, iríamos contra as confianças que juramos, não serem eternas, mas sim serem enquanto o nosso encontro for possível e que o dispensável seria guardar as nossas más palavras que, apesar de nos darem uma lição de vida, é preferível não voltar a referi-las.
Como vês ensinaste-me muito e eu sei que tu também aprendeste muito comigo. As nossas vidas irão andar cruzadas nos próximos tempos, e eu agradeço, pois o que realmente me dói é largar quem se tornou numa pequena parte da formação da minha própria pessoa. O que dói é perder quem nos atribuiu o mesmo valor, ou mais, do que aquele que lhe atribuímos, quem nos agarrou, quem nos fez amar a vida e ver o seu lado mais pacífico e dotado de ternura, quem nos fez pulsar o coração a cada gesto e a cada olhar, quem nos rasgou um sorriso na cara até mesmo nas alturas em que as nossas tristezas gloriavam o nosso dia e quem, de facto, nos ofereceu um coração e uma confiança em mãos, para que possamos cuidar e rectificar todas as impurezas.
Eu estou feliz por saber que não te perdi e que poderei seguir a minha vida tendo-te comigo, mesmo que não seja do mesmo modo que era há um ano atrás. Somos o mesmo, seremos exactamente o mesmo. Estou aqui, a cuidar de ti.

domingo, 4 de abril de 2010

a vida é tudo ou nada


Do que eu tenho mais saudades é de acordar e não me lembrar de nada, não sentir o cheiro que ficou neste meu quarto nem recordar o nosso tremendo passado. Sinto falta dessa sensação de liberdade que já passou por aqui há uns tempos de monotonia parcialmente eterna que se fundiu em nada. A vida é mais difícil do que aparenta ser e torna-nos extremamente fortes em cada momento. Cada experiencia funde-se numa vida pois nunca se sabe se será a ultima que iremos usufruir e temos sempre toda a energia do mundo para repetir mil e uma experiencias que vivenciamos, mesmo que estas percam o seu gosto a espontaneidade ou que nem correspondam às mesmas emoções. Pois é, a vida dá muitas voltas e nós nunca nos damos ao trabalho de lhe atribuir uma pitada de importância.
Por me lembrar agora de atribuir algum peso a esta minha vida perco medos e rancores, afirmo que tenho saudades de sentir-te porque talvez seja esta a minha última oportunidade para to dizer. Não é que ainda goste de ti, o gostar ou não gostar não se discute pois sempre fui da opinião de que isso é muito subjectivo e que é uma injustiça torna-lo em palavras que provavelmente não serão as mais correctas para os justificar. O meu coração jamais bate por ti, isso é uma verdade. O meu coração está nas minhas mãos e bate pela minha vida, pelos meus sonhos e pela minha força de vontade de atingir a minha meta; se bem que, assim de vez em quando, ele escapa-me por entre os dedos e esconde-se de mim decidindo habitar por momentos em águas passadas e desabafa comigo, referindo que não sente saudades de bater por ti mas sim de te sentir perto de mim. É este o paradoxo, ligeiramente controverso e contestado que gera o que sempre existiu entre nós: apesar de ser fácil agarrar a nossa atracção e o nosso sentimento, sempre foi difícil lidar com a nossa presença um no outro, já por isso é que convergíamos exactamente no mesmo ponto de onde partíamos anteriormente. E agora, apesar de o nosso sentimento ser tão nulo quanto à nossa atracção, o vazio ainda se sente. Sei que me percebes e tu sabes que eu te percebo pois felizmente sempre tivemos a segurança de crer um no outro permitindo uma certa familiaridade e um atrevimento de expulsar tudo o que existe cá dentro.
O tempo passou mais depressa do que pensávamos, o nosso tempo foi escasso, não me canso de o referir pois todos os dias chego a essa tremenda conclusão que me faz afogar nas minhas próprias palavras e apercebi-me que já não vivíamos cada dia como se fosse o último. Mas foi graças a cada vida que me ofereceste de mão beijada que eu aprendi a construir a minha própria personalidade, mesmo naqueles nossos dias meios cinzentos que desperdiçávamos.
Agora observo-te de longe, sentado no chão agarrado ao teu vício e à tua música com uma tremenda vontade de correr para ti, aquecer o meu coração e sentir-te em meus braços. Não sinto saudades de gostar de ti, sinto saudades de te ter perto de mim quando queria. Talvez ainda não tenha aprendido a lidar com o nosso pequenino tempo, a conjugar os nossos verbos nem consiga lidar com a tua presença na minha vida de uma outra forma. Mas sabes, a minha vida pode acabar amanhã, ou até mesmo quando eu acabar de escrever este texto e jamais poderei dizer-te a falta que me fazes. Por isso, a próxima vez que eu te observar de longe, vir que sentes falta de um ombro que te apoie, eu estarei lá, a agarrar a nossa confiança e a aquecer a minha e a tua alma.
A vida é tudo ou nada e tu sempre foste a minha alegria da manhã, o meu perfume preferido e o meu sonho perfeito. Isto sim, deixa saudades e faz-me soltar um sorriso só por saber que foste um todo de uma experiência que construiu a minha vida.

quarta-feira, 17 de março de 2010

carta

“Eu também tenho medo, mas não digo nada. Gosto de sorrir para a vida e pensar que tudo vai correr bem, mesmo quando os dias me trocam as voltas e chego à noite estoirada a casa, sem encontrar sentido às coisas.”

Um dia escrevo-te uma carta. Não daquelas cartas banais repletas de lamechices e sentimentos devaneios. Uma carta a falar-te de mim, de ti e de nós. Qualquer dia começo a escreve-la, mas vai demorar. Talvez demore mais do que aquilo que eu espero, visto que escrevo e reescrevo sempre tudo com medo de falhar em algum pormenor. Sim, eu tenho medos, por muito que diga que não os tenho. Mas sinto-os. Sinto-os todos os dias comigo e parece que se tornam mais persistentes naqueles dias em que a cabeça não pára de andar à roda e, sinceramente, não sei de onde provém estes medos nem ao certo o que eles querem mim. Um dia conto-te os meus medos, assim muito bem detalhados, quando o teu tempo e o meu não forem escassos, quando possamos desfruta-lo bem sem que nos escape por entre os dedos. As palavras que te escreverei, essas, nem eu as conheço mas sabes, meu doce, nós aprendemos com o tempo e vai ser o tempo que me dirá exactamente que vocábulos deverei utilizar, que expressões deverei referir e que sentimentos deverei expressar. Tens um bocadinho de mim e eu tenho um bocadinho de ti e tu, sabes tão bem quanto eu o quanto apreciamos este bocadinho meio ‘nosso’. Um dia detalhar-te-ei a ternura que guardo por ti, se conseguir. Se não conseguir eu tento, já por isso é que demorarei dias a escrever-te uma carta.
Um dia destes, vamos tomar um cafezinho, aproveitar o tempo que o tempo nos proporciona e mandar umas gargalhadas para o ar com a nossa história. (sim, porque nós temos uma bela história para contar…)

sábado, 30 de janeiro de 2010

pedacinhos de alma

É muito difícil saber-se gostar. Não digo gostar no sentido básico da palavra porque esse gostar é manuseado frequentemente por esta sociedade. O gostar de saber o que se tem, de confiar no que se tem e agarrar-se ao que se tem. É muito fácil deixarmo-nos levar pelos desejos e prazeres que nos consomem quando o momento proporciona a tal, o difícil é saber agarrar esses momentos por muito e muito tempo. O que bonito num dia é, torna-se completamente distorcido quando uma barreira se atravessa à nossa frente. É tão, mas tão fácil falar e jurar eternos sentimentos, é tão fácil dizer que se quer e que se gosta… e gostar, é fácil? E quando não se tem o que se gosta, será fácil como transparecemos sê-lo? Tudo isto seria mais fácil se todos nós soubéssemos agarrar o sentimento que nos persegue, assim só mais um bocadinho do que aquilo que agarramos. Talvez assim soubéssemos o que é gostar, porque só assim se sofre. E só se sofre pelo que se quer. Só sentimos o nosso coração apertado quando ele não está preenchido. Só acordamos com aquela sensação que falta uma parte de nós quando sofremos exactamente por esse motivo. Por isso as palavras são tão banais quanto os actos, por mais justos e sinceros que sejam. Porque o sentimento, esse, fala mais alto do que qualquer vocábulo proferido. Diria mais, as palavras e os actos só são justos quando correspondem ao fiel sentimento.

(Quando as certezas nos faltam, mais vale não querer demasiado o que não se tem. Vais vale pousar a cabeça na almofada, fechar os olhos, ouvir uma boa musica até que o sono nos consuma a alma. Pode ser que no dia seguinte tenhamos certeza quando repararmos se nos falta ou não algum pedacinho de alma. Se faltar, já não é tão fácil gostar como dizemos…)

sábado, 23 de janeiro de 2010

deixa o tempo falar

Posso afirmar que és das melhores pessoas que me conhece, mas tenho que confessar que te faltou descobrir mais do que aquilo que pensas. Faltou-te explorar, talvez, os meus pontos mais obscuros onde ninguém lá chegou. E não basta saber-se o que se sabe.
Talvez saibas que foste o grande amor da minha vida, ou talvez não. Talvez conheças todos os meus particulares desejos, ou talvez não. Nunca saberás exactamente o bichinho que entrou dentro de mim quando tu entraste na minha vida. É um facto e contra factos não há argumentos. Há muita coisa que nunca soubeste, nem nunca saberás. Talvez o nosso tempo fosse demasiado escasso, ou talvez tenha sido mal aproveitado em certas ocasiões. Isso, nem eu sei pois o tempo nunca me deu tempo suficiente para decifrar essa incógnita. Há pequenos detalhes que nos passam ao lado, que são como aqueles papéis insignificantes que calcamos todos os dias sem darmos conta. Olhamos demasiado e nunca nos damos ao trabalho de observar e reparar, cuidar dos pormenores e rectificar as impurezas, pois achamos sempre que é desnecessário. E se o nosso acto mais insignificante por aquele que provavelmente destruirá o nosso maior desejo?
A verdade está ao nosso alcance e oportunidades todos temos, o difícil é saber mantê-las.
Talvez não tenhamos tempo suficiente para descobrirmos que há coisas que não conhecemos, porque há coisas que não sabemos. E esse tempo que nos foi roubado, talvez volte só para esclarecer o que desapareceu no nevoeiro. Como que antepassados que voltam só para contar a historinha de novo. Aí, escuta com atenção, por favor.

domingo, 20 de dezembro de 2009

entre palavras e segredos


 "Às vezes acho que são as palavras que se viram contra mim, exactamente nos momentos cruciais, aqueles em que elas, as palavras, me poderiam valer. Talvez as use com excessiva facilidade e as gaste com toda a minha pretensa eloquência. Ou talvez elas não representem quase nada, nem sequer o significado que lhes damos. O que contam são os actos - esses sim, falam mais alto - e o que nunca se ousou dizer, o que se guarda no peito durante dias, semanas ou anos, como um tesouro precioso e clandestino que perde o encanto e o valor se for revelado ou descoberto."
 
Há qualquer coisa de irresistível em ti. Algo que nunca quis que o vento levasse porque rejo-me pela lealdade e bons princípios que me transmitem a mensagem de que é sempre bom guardar uma pequena parte que simbolize o todo que nos fez, de uma certa forma, felizes. Não precisas de pensar como eu, sei que não pensas porque bons princípios não deve constar nem sequer no teu vocabulário, nem me importa se em algum momento da tua vida – ou da vida que foi nossa – pensaste desta forma. Importa-me sim guardar apenas o que me faz largar um sorriso naqueles momentos cruciais em que vem tudo à memória, nos dias em que me sento no meu sofá e penso. Infelizmente guardo pouco de bom porque o que existiu de mau excedeu os limites da bondade anteriormente realizada, o que por um lado é melhor; o que existe forte e em minoria, por vezes, é o mais agradável de recordar e o que menos vezes se recorda. O que me facilita muito a vida. Tenho pena que nem uma pequena ligação permanecesse ente nós, que nem de um simples cumprimento possamos usufruir porque vivemos formatados neste mundo, porque todos nós nos regemos por leis estabelecidas e barreiras construídas pelo orgulho que nos caracteriza. E tenho pena que a ligação que no inicio ainda era patente, tenha sido quebrada por ti, pela tua cobardia, pelo teu orgulho e pela tua frieza de pensares apenas no teu bem-estar. Digamos que foste inexacto em relação àquilo que pretendias retratar, reges-te pelas facilidades que a tua vida te proporciona e vais sobrevivendo assim – repito, sobrevivendo. Eu vou vivendo com a minha consciência tranquila, que nem o meu acto mais cruel chega aos pés do que me fizeste. Duvido seriamente das palavras que me transmitias e dos teus gestos que transpareciam o amor que sentias por mim. Se, afinal de contas, todas as minhas palavras nunca foram a ajuda que prendia que fossem para ti nem te agarravas a elas, porque razão eu deverei acreditar nas tuas palavras que, em tempos, enchiam o meu coração de felicidade? A pouco e pouco, comecei a perceber que não há respostas para tudo, que não há palavras que possam limpar o ponto de interrogação que por vezes se instala no nosso consciente. E tu és o causador da maior duvida que se instalou em mim e eu talvez tenha escolhido o caminho oposto para alcançar o entendimento, talvez te devesse confrontar mesmo que não o merecesses Ainda o tentei, ainda tentei fazer-te ver que confiei em ti pela terceira vez com o objectivo de criar a melhor relação possível e tu é que a traíste e recordo-me das últimas palavras que te disse pessoalmente, que provavelmente preferiste deixá-las voar em vez de as agarrares e lembro-me das lágrimas que me escorriam pela cara, de alguém que se sentia incapaz para mudar o que se atravessara à minha frente. Os tempos em que me sentia culpada do que me acontecia, esses, já foram, já os larguei muito conscientemente com a certeza de que não voltariam. Pois eu, chego à conclusão que prefiro guardar o teu lado irresistível para te poder abraçar de vez em quando e poder largar um sorriso em vez de largar uma lágrima. Tomara eu que as minhas palavras te absorvessem da mesma forma que as tuas me absorvem.
Sabes, “o pequeno mundo do coração é mais vasto, mais profundo e mais rico do que todo o Universo”, pensa nisto…

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

guarda(-me) nas palavras



"Acordo todas as manhãs com este zumbido e a certeza que não vais voltar. Cansada de me convencer que, apesar e acima do teu individualismo estava a tal inevitabilidade a que nos submetemos e chamamos amor, pensei que, com todo o amor que sentia por ti te iria suavizar e de alguma forma fazer parte do teu equilíbrio, tornando-me subtilmente indispensável.
Andas por aqui, às vezes vejo-te a abraçar-me com cuidado enquanto escrevo, ou a aconchegar-me o lençol até ao pescoço, momento exacto que antecede a paz do sono perfeito. Depois sais sem fazer barulho e metes-te outra vez no avião e eu fico a ver-te voar, e no dia seguinte acordo como se o mundo começasse outra vez.
As palavras guardam o que julgamos ter perdido para sempre, é por isso e para isso que escrevemos, para resgatar o impossível, porque o amor, por mais puro e forte que seja, não resiste à solidão e ao abandono, muito menos a outro amor que nos fecha o mundo nas mãos."

E essa vida, vai boa? Não sei se te recordas de mim ou se guardaste um bocadinho de mim dentro de ti. Não sei se aí, nesse teu cantinho pequenino e rubusto, há espaço para a minha alma, nem que seja para simplesmente prevalecer apenas o que é bom de prevalecer. Não sei o que te passa pela cabeça sempre que os nossos olhares se cruzam ou o que sentes sempre que te passo ao lado. O mais provável é passar-te assim mesmo, ao lado, como se eu nunca tivesse percorrido as minhas mãos pelo teu corpo, como se nunca tivessemos sido fiéis a um sentimento que nos consomia, como se nunca tivessemos sido um do outro, como se tu nunca tivesses entrado na minha vida. Foste um autêntico flash: consumiste-me por completo velozmente e largaste-me exactamente do mesmo modo. Continuo a gostar de escrever as palavras que me passam na mente sobre ti, simplesmente porque é a única forma de eu largar um bocadinho de ti. Está quase, meu desamor, está quase. E espero que as palavras te guardem melhor do que tu me guardas.
Há dias em que gosto de te ver a passar por mim, assim mesmo ao meu lado, para eu concluir que, de facto, já não me causas incómodo algum, já não deixas o meu coração aos pulos nem me provocas um arrepio de pele. Talvez pelo hábito, talvez não. Há dias em que não gosto porque há dias em que sinto um aperto no meu coração. Há dias em que mexes comigo, há dias em que me és indiferente. Há alturas em que gosto de te ver mais de longe, espreitar assim pelo meio das pessoas só para ver se mantens as tuas rotinas, se lanças uma gargalhada para o ar ou se também tentas observar-me. Depois há aqueles dias em que não te vejo e, ou fico normal como se nada fosse, ou me sinto perdida. Às vezes ainda te recordo como o meu pilar, o meu caminho e a minha luz. Às vezes custa-me encostar-te assim de lado, desviar-me de ti e fazer de conta que nunca foste o meu refúgio. Todos os dias me vens à memória, não sei se ainda passo pela tua cabeça nem que sejam ligeiros minutos como antes porque acho que a tua cabeça está demasiado ocupada com as tuas ideias. Mas todos os dias me vens à memória assumindo diversos papéis e, frequentemente, tens assumido o papel da indiferença.
Vou passar a guardar-te nas palavras, faz o mesmo comigo, por favor. Cheguei à conclusão que não te quero guardar dentro de mim, fazes-me trincar os lábios, roer as unhas, bater o pé no chão e desviar olhares. Eu, se não tiver um buraquinho para me esconder na tua memória, guarda as lembranças num papel, embrulha-o e coloca-lo na nossa caixa de recordações. Um dia, quando a tormenta acalmar, as mentalidades crescerem e o ambiente mudar, pega na caixinha, limpa o pó que a reveste e vem ter comigo. Vamos soltar gargalhadas das nossas vivências que construiram a nossa adolescência. Tu sabes que eu não guardo rancores e passei a não guardar os amores.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

segredando comigo


Vou-te contar um segredo. Não é que o mereças, mas é bom que o saibas.
Hoje pus-me do teu lado, pensei mais do que penso quando assumo a minha posição. Talvez te perceba, talvez não… mas isso não se torna relevante no que me interessa contar. Estás na idade de aproveitar tudo o que te aparece à frente. É claro. Queres estar todos os dias bem, sem preocupações nem discussões. É certo. Mas, será que estar bem todos os dias significa ocultar os nossos obstáculos ou ultrapassá-los? Julgo que te falta definir certos valores que devias implementar nesse teu modo de vida. Eu não sou ninguém, meu caro. Neste Mundo ninguém é ninguém e ninguém é de ninguém. Ninguém faz mais que os outros porque somos todos uns clones e fazemos o mesmo que tudo o que nos rodeia, nem me interpretes como a dona da razão e da moral. Penso que vês as coisas de maneira mais abstracta. Não somos todos iguais, felizmente. Tenho a completa certeza que estás bem mas… estarás sempre? E quando o que tens em mão te faltar ao primeiro momento que necessitarás dela, a quem irás recorrer? E quando reparares que surge uma discussão ou um desentendimento, quererás partir para outra – para manteres a tua felicidade sem pensares na dos outros - ou serás capaz de ultrapassá-lo? Bem, eu de ti já espero tudo depois do que vivenciei.
Vou-te contar um segredo: gostava que soubesses que de ti guardo apenas o melhor, largo mágoas e tristezas que não são úteis para a minha vida. Guardo as tuas boas palavras, a tua alegria e a tua força de vontade. Guardo o teu calor, os teus gestos, o teu toque e o teu mais doce olhar. Guardo o teu perfume, guardo os nossos segredos à medida que nos abraçávamos. Tenho algo a agradecer-te, concretamente não sei, apenas sei que tenho e que o devo fazer. Não sei se foi por me ensinares a ver o outro lado da vida, se foi por me transmitires a maior felicidade que alguém pode receber, se… não sei porque faltam-me as palavras para te explicar. Acredito agora que há vícios que são capazes de serem largados - e não imaginas o aperto que sinto quando o digo e as lágrimas que caem sobre a folha que escrevo. Talvez te seja indiferente, talvez não. Talvez consigas tomar essa tua posição todos os dias, ou talvez mais tarde te arrependas. Sabes, vivemos formatados neste Mundo para o bem parecer e o dever. Serei eu capaz de controlar sempre os meus actos assim que te apareceres à minha frente quando a minha vontade é ir a correr para ti? Claro que não o devo fazer, tu não mereces e é apenas por isso que eu não o faço e porque sei que, neste momento, não serei correspondida com os teus braços.
E se um dia nos perdermos os dois no mesmo local, vinhas ter comigo? E se um dia deixares os meus cadernos caírem ao chão devido à tua distracção, dizias-me algo? E se um dia tiveres saudades “nossas”, abraçavas-me? Somos inevitáveis, independentemente do papel ou do sentimento que assumimos…
E tu, tens algum segredo para me contar?

terça-feira, 24 de novembro de 2009

um pouco de nada




Ambição. Modéstia. Doce. Amargo. Humildade. Soberba. Louvar. Censurar. Progredir. Regredir. Concórdia. Discórdia. Prestígio. Humilhação. Claro. Escuro. Presente. Ausente. Acompanhado. Sozinho

Nem quando te observo a três metros de distância de mim sinto a tua presença como antes. Nem quando nos cruzamos através de olhares sinto que pretendes transmitir-me algo sem usufruíres das palavras. Desgastas-me.
Já não te sinto em mim, já não te sinto ligado e preso ao meu coração porque, de facto, fizeste-me ver com olhos de gente que só importa o que temos em mão. Gostava tanto que o amor ganhasse asas e voasse assim como tu partiste da minha mão, como as andorinhas que escolhem o seu refúgio e os seus locais de convívio, eu gostava que um dia o amor escolhesse os corações que quisesse amar. Palavras escritas que nunca serão apagadas da minha mente, palavras que me levam à razão, que me levam a ti. Tu sabes que isto me vai levar a ti, assim como eu sei que algo te irá trazer a mim, seja em forma de amor ou em forma de outra coisa qualquer que iremos descobrir mais tarde porque eu não guardo ódio, tomara eu.
Eu não guardo sentimentos de rancor nem arrependimentos, sou transparente e apenas guardo o que é bom de guardar. Para coisas más já basta o Mundo em que vivemos que está repleto de indefinições de sentimentos. E como dizia um belo filósofo, “Nada dura tanto, excepto a mudança” e caso eu repare que o que tens em mão ficará contigo por muito tempo, chego à conclusão que te tornaste noutro ser que não aquele que fez pulsar o meu coração intensamente e aí, tornar-nos-emos em banais desconhecidos, que nem a três metros de distancia iremos sentir a presença um do outro. Tornar-nos-emos num pouco do nada que restou.

sábado, 14 de novembro de 2009

dores mudas



Fixo-te o meu olhar e desconheço-te. Melhor dizendo, talvez só agora te esteja a conhecer. Dei conta desse teu traje tão descomunal com que caminhas com muita dignidade pelas ruas da cidade. Olha para nós, estamos perdidos. Vamos deixando um pouco de nós em cada estrada que pisamos até que nada sobre e que nada possa ser reconstituído. E eu continuo com este tremendo desejo de te reencontrar…
Magoa-me deixar de ser tua por completo, magoa-me ser obrigada a esconder o meu lado esquerdo que bate com mais intensidade sempre que os nossos olhares se cruzam e vou morrendo, dia para dia, sempre que deixamos um pouco de nós em cada estrada que pisamos.
Magoa-me saber que me fazes metaforizar-te utilizando os vocábulos mais dóceis porque, no fundo, não deixo de sentir este coração a bater, que bate por ti. E magoa-me ver-nos assim, a perder um pouco de nós em cada estrada que pisamos.
A noite nasce, a rua mergulha na solidão, o silêncio instala-se e a dor priva-se do uso da fala, manifesta-se sem recorrer às palavras.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

à distância




"We're pulling apart and coming together again and again, we're growing apart but we pull it together, pull it together again (...) Don't let me go"

Deixei-te ali, acompanhada pelas folhas que o vento te trazia e com o seu gélido ar. Deixei-te ali, naquela tremenda sexta-feira 13, largando tudo o que me tens proporcionado nos últimos tempos.
Ainda me recordo, meu amor, ainda me recordo destes nossos tempos em que dávamos importância às pequenas discussões que uma relação de adolescente tinha e transformávamo-nos em meros desconhecidos. E sempre que me recordo de tudo isto largo um sorriso, um sorriso repleto de ironia – por sinal, sempre fomos muito bons nestes sinais.
Hoje lembrei-me de ti, como já não era de esperar. Mas hoje a saudade bateu mais forte, às vezes sinto isto quando me coloco no parapeito da janela e observo o espaço que usufruo neste momento, e custa-me não te ver cá, todos os dias, como nos víamos na escola quando éramos adolescentes. Aqui, no Iraque, estou rodeado de pessoas que desvalorizam os sentimentos. Deixaram as mulheres em casa, como eu te deixei a ti, na esperança de proporcionarem uma vida melhor à sua família mas só os vejo a desbastar o dinheiro como se fosse fácil ganhá-lo. Tenho saudades desse povo, tenho saudades da felicidade que me proporcionavas todos os dias.
Estou aqui a olhar para as fotografias que tirámos quando namorávamos, lembras-te? Eu vestido de uma forma que nem merece qualquer comentário e tu sempre a esconder a cara. Que bons tempos. Fora de preocupações – quer dizer, supostamente não deveríamos ser pessoas preocupadas, éramos jovens mas a adolescência ensina-nos a complicar e ganhámos muito essa mania, por muito que nos prejudicasse. E recordo-me do clima em que vivíamos, o tempo que o usufruímos juntos e o tempo que sofri sem ti. E como me orgulho do sentimento que guardo por ti durante este tempo todo: desde o primeiro dia que começámos nos nossos namoricos que éramos obrigados a conciliar horários de escolas diferentes, passando por tardes intensas de verão e acabando nos dias que usufruíamos ao lado um do outro na mesma escola; até agora, que mesmo não te vendo há vários meses guardo-te aqui, junto a mim. Espero que estejas bem e que estejas a cuidar de ti todos os dias. Lembra-te que estou aqui por nós e que em breve voltarei com uma vida melhor. Guardo de ti o melhor que alguém pode ter, nunca te desvalorizes e lembra-te que tens contigo o melhor que alguém te pode oferecer. Vivemos assim, numa constante troca de sentimentos que nos rasgam um sorriso na cara todos os dias. Meu amor, espero sair rápido desta guerra e voltar a ver-te, voltar a abraçar-te sabendo que és minha como sempre foste.
No meio de tantas cartas que te escrevo vou lamentando se me escapa algum pormenor que aches relevante, mas por vezes não sou muito bom neste jogo de palavras, sempre foste tu quem possuía esse dom.
Somos a maior prova de que o sentimento triunfa e peço desculpa por aqueles dias em que te deixei sozinha, a sentir o vento gélido a bater-te na cara com as lágrimas a escorrerem e lamento recordar-me disso hoje, que é sexta-feira 13 exactamente igual àquela em que nos despedímos. Mas sabes, éramos tão ingénuos que não sabíamos o que o futuro nos esperava. Sofríamos muito com o que vivíamos, vivíamos tudo muito intensamente e por vezes tomávamos atitudes que, apesar de eu pensar que eram as correctas, destruíam a nossa relação. Agora damos valor ao que sentimos e tenho pena dos pequenos que se julgam grandes pelas grandes atitudes que cometem e esquecem-se que a grandeza das atitudes não define a grandeza da personalidade da pessoa, tenho pena deles por desprezarem tanto os seus sentimentos, como nós desprezámos os nossos, tenho pena deles por gostarem de expor os seus sentimentos tão rapidamente que nem sequer os conhecem e não têm noção do valor das palavras que pronunciam.
Hoje recordei os nossos tempos de felicidade juntos, como nos deixávamos levar num profundo sentimento que absorvia os nossos corpos. Recordo-me de gostar de ter os meus braços à tua volta, como que te protegendo, deixando a tua cabeça deslizar até ao meu peito. Os nossos beijos, os nossos passeios e o calor que transmitiamos um ao outro num dia de temporal, como o que assisto agora. E dava tudo para viver esses momentos todos os dias, ao teu lado, entregando-te o meu coração como sempre me entregaste o teu e eu admirava guardá-lo. Tu dizias "está a chover lá fora" e agarravamo-nos ainda mais de forma a que ficássemos quentes, e eu beijava-te a testa, tal como gostas, e esquecíamos a chuva, porque o que importava era estarmos em minha casa, no meu quarto, no teu coração.
Nunca te esqueças que guardo um carinho enorme por ti, todos os dias, e estou aqui a lutar por nós, pela nossa vida.

Minha eterna pequena
Francisco

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

terceira é de vez?


Muitos dizem que não precisam de chegar à terceira tentativa para saber se vale a pena  ou não viver certas experiências. Cá eu discordo, acho que somos todos capazes de determinar o nosso próprio número de tentativas consoante as experiências que queremos viver e podemos transformá-las no que quisermos. Dizem que à terceira é de vez, mas mesmo que não seja, iremos usufruir que uma nova quarta, ou quinta, ou sexta... Mais vale tentar do que ficar a olhar e eu não gosto muito de desperdiçar o que me vem parar às mãos. E se cá caíste é porque o teu lugar era aqui - caindo tu de pára-quedas ou não, não me é relevante a forma como cá chegaste.
Meu tesouro, já tinha saudades de sentir o teu calor, o teu perfume, o teu toque. Já tinha saudades de pensar todos os dias em ti sabendo que te tenho todos os dias junto a mim. E não há melhor sensação do que esta que nem as mais brilhantes palavras conseguiriam definir. Nunca percebi a forma como me dominas, como não te consigo resistir sempre que te chegas junto a mim e me fixas o teu olhar desenhando um sorriso no meu rosto. Fazes-me fintar as palavras para conseguir golear os textos e deixas-me sempre com algo por concluir porque adoras cortar-me o raciocínio com os teus doces beijos. Perdi conta do número de dias que nos guardamos mutuamente e já nem sei quantos minutos desfruto agora ao teu lado. Perdi conta da quantidade de vezes que entramos em brincadeiras que nos fazem soltar as mais sentidas gargalhadas e a quantidade de vezes que entramos em pequenos jogos de chantagem para obter algo no final como vitória. Sabes, perdi a noção do que nos transformamos de tantas situações que se meteram entre nós. Nem sei qual será a próxima fase, nem no que nos iremos transformar daqui a uns dias. Às vezes sinto um medo que me rói aqui dentro que tenta contrariar os meus actos, outras vezes sinto uma segurança enorme quando me abraças e me sufocas. Gosto de sentir que despejas toda a tua confiança em mim mesmo quando sabes que ultimamente recuo um passo a cada dois que caminho e gosto do brilho do teu olhar que me transmite a sinceridade das tuas palavras. E sabes, eu cá acho que merecemos o maior número de tentativas que nos vierem parar às mãos, pois sei que irá existir sentimento para suportá-las todas. Nós, somos os donos das nossas experiências, e tu és o dono da felicidade que me acompanha todos os dias.


"Hoje posso-te dizer, sem qualquer dúvida. És a miúda da minha vida e eu não quero mais ninguém."