quinta-feira, 22 de julho de 2010

E se vida fosse isto?

"E se a vida fosse isto? Tu chegas sempre depressa, vens a voar baixinho todos os dias na minha direcção, como desde a primeira vez em que te puxei. Não estavas à espera que eu fosse assim, foste a maior surpresa da minha vida, disseste-me entre duas piadas. Fazes-me rir muitas vezes, e deve ser por isso que, quando falas a sério, consigo perceber que és mesmo tu, muito mais tu do que quando te sentas a escrever disparates que fazem rir multidões.
O riso é o segredo universal do nosso entendimento. Há outros segredos, guardados no cheio, no toque, em tudo o que pensamos quando não estamos juntos, nas tardes intermináveis em que conversamos como velhos amigos enquanto nos olhamos, à espera doo momento certo para dar o próximo passo.
Não estamos habituados a isto, nem tu nem eu somos assim, sempre fizemos tudo o que nos passou pela cabeça, poucas vezes parámos para pensar. Mas agora é diferente, porque a vida não é isto, mas gostávamos que fosse, e é por isso que adiamos o momento certo que pode ser quando quisermos, um dia destes, com certeza.
O mais difícil já temos, equilíbrio e confiança, mesmo que nenhum de nós saiba o que quer, para onde vai e como lá chegar. Olho para ti e também não sei o que te faça, só sei que me fazes bem e que te quero por perto.
Nunca percebi a natureza dos homens. A vida só me ensinou a aceitar as diferenças que reconheço mas não explico, apesar de viver a decifrar os sinais da vida. Vejo em ti defeitos que noutros homens me fariam recuar de forma irreversível e que me fazem apensas pensar que, se fosse homem, seria como tu. A tolerância é uma virtude que se aprende da pior forma. Com vinte anos achamos que somos os donos do mundo; aos trinta, instalam-se as dúvidas existenciais; e quando os quarenta se aproximam e percebemos que o mundo à nossa volta se encolhe, voltamos à base, riso e entendimento, é como se voltássemos às tardes de Verão com bombas na piscina, o prazer dos primeiros charros, tostas mistas e iogurtes líquidos, tu deitado numa espreguiçadeira a cobiçar-me as pernas e o peito, e eu a olhar para ti e a pensar que se a vida fosse isto, com altos e baixos, momentos melhores e piores, fazias-me feliz, tão feliz como quando tinha quinze anos e me apaixonei por um miúdo parecido contigo que também me fazia rir como tu." (mrp)


Se eu fosse a dona do tempo, voltava atrás e lia este texto antes de pegar nas chaves, fechar a porta e ir ter contigo. Guardava-o no bolso para me lembrar de que a vida não é feita da maneira mais delicada que idealizamos que é, que os altos e baixos servem para nos fortalecer nesta corrida contra o tempo e que as tardes loucas de Verão são as melhores das nossas vidas. Que tristezas e mágoas servem para ficar na carteira junto aos papéis rasgados e lenços encharcados, que mais vale correr para ti sempre que me viras as costas porque na hora a seguir poderá ser tarde demais. Que palavras cruéis servem para se atirar aos ventos fortes e que o nosso entendimento e o nosso riso pertencem à estrada perfeita rumo à felicidade. Se eu fosse a dona do tempo, lembrava-me que a vida não é feita de loucuras que nos passam pela cabeça, que tu tinhas o Mundo nas tuas mãos e eu guardava o teu coração como que eternos confidentes que não se contentavam com curtas loucuras de vez em quando. Lembrava-me que éramos feitos de uma constante partilha e confiança, que apenas importava o nosso pequenino esforço que nos tornava extremamente felizes em cada momento nosso. Voltava atrás, pegava nas nossas fotografias de tardes de Verão e colava outra vez na parede onde se encontram “as pequenas partes de um todo”. Voltava atrás e tocava à tua campainha assim que passara à tua porta em vez de me sentar ao lado e parar no tempo à espera que um passarinho viesse ter comigo para me aconselhar, como se fosse possível os dias serem todos quentes e o dinheiro cair das nuvens.
Mas eu não sou a dona do tempo e não posso voltar atrás. Tu continuas a ser a minha maior lição de vida e a melhor parte deste meu todo crescimento e eu continuo a ser a menina que te deve metade do Mundo que tinhas em mãos e que se faz à vida antes que a vida lhe pregue alguma partida e que bata com o nariz no chão!

7 comentários:

Alguém... disse...

Lindo, adorei.
Vi-me em grande parte das tuas palavras. Parabéns*

O Recicla disse...

Obrigado :')
É bom receber comentários assim!

O Recicla

Diogo Silva disse...

Haaaa uns descontos da jeitinho tenho de escrever muitos livros então hahaha Sim mas primeiro falta editar o livro =D e acabá-lo =P depois do verão estará pronto quase de certeza o resto ja e com a editora e não comigo =D

Segunda Pele disse...

acho que queremos sempre alterar as coisas, nunca corre como corremos e o tempo, esse se o tivessemos era muito bom era :)
tens toda a razao catas *

Raquel M. disse...

Um grande texto, com grandes verdades! Eu agarro-me a cada momento e vivo-o como se fosse o ultimo...

Beijinho e obrigada por seguires o meu blog (:

Ângela Raquel disse...

« Que tristezas e mágoas servem para ficar na carteira junto aos papéis rasgados e lenços encharcados, que mais vale correr para ti sempre que me viras as costas porque na hora a seguir poderá ser tarde demais. » - lindo, adorei :)

Marilena' disse...

sei que continuarás ;)