quinta-feira, 27 de novembro de 2008

alma perdida



Toda esta noite o rouxinol chorou,
Gemeu, rezou, gritou perdidamente!
Alma de rouxinol, alma de gente,
Tu és, talvez, alguém que se finou!

Tu és, talvez, um sonho que passou,
Que se fundiu na Dor, suavemente...
Talvez sejas a alma, a alma doente
Dalguém que quis amar e nunca amou!

Toda a noite choraste... e eu chorei
Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei
Que ninguém é mais triste do que nós!

Contaste tanta coisa à noite calma,
Que eu pensei que tu eras minha alma
Que chorasse perdida em tuda voz!...

in Livro de Mágoas, Florbela Espanca

2 comentários:

Diogo Silva disse...

o meu poema favorito...não me acredito lês florbela...ke espectaculooooo* Amei agora =D

P. disse...

Florbela espanca ! ='D